Metanol (álcool metílico) é uma substância tóxica, muito diferente do etanol (álcool “comum” que bebemos em bebidas alcoólicas). Quando ingerido, o metanol é metabolizado pelo corpo em compostos como formaldeído e ácido fórmico, que causam sérios danos ao sistema nervoso, visão e órgãos vitais.

Por que alguém adulteraria bebidas com metanol?
- O metanol é mais barato que o etanol.
- É líquido e incolor, sem cheiro forte, o que facilita disfarçar a adulteração.
- Em casos de produção clandestina ou falsificação, ele aparece como “atalho” para aumentar o teor alcoólico, ou para misturar bebidas de marca com produtos mais baratos.
- Essa prática é ilegal e muito perigosa — não deveria existir em bebida alguma.
Casos recentes no Brasil de bebidas adulteradas com metanol
Nos últimos meses de 2025, foram detectados casos no Brasil de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, com mortes, internações e sequelas graves.
São Paulo e Grande São Paulo
- Investigações apontam que bebidas do tipo gin, vodka e uísque de marcas conhecidas foram adulteradas e comercializadas em bares sem nota fiscal e sem origem segura.
- Na capital paulista e na região de São Bernardo do Campo foram registrados mortes suspeitas: três pessoas já foram confirmadas como vítimas fatais desse tipo de contaminação.
- Também foram encontrados casos de pessoas que perderam a visão (total ou parcial) depois de consumir bebida adulterada.
- Em operações de fiscalização, mais de 117 garrafas sem comprovação de procedência foram apreendidas em bares nas regiões de Jardins e Mooca, em São Paulo.
- Ao longo de menos de um mês, foram contabilizados nove casos de intoxicação e três mortes pela ingestão de bebidas adulteradas com metanol na cidade e na região metropolitana.
Histórico antigo: “Cachaça da Morte” (1990)
Um caso marcante ocorreu em 1990, nos estados da Bahia e Piauí, chamado de “cachaça da morte”:
- Pessoas consumiram cachaça adulterada com metanol e dezenas morreram.
- Muitas foram hospitalizadas com sintomas graves; o fabricante nunca foi completamente identificado.
Casos internacionais notórios
- Em 2016, na cidade de Irkutsk, na Rússia (Sibéria), ocorreu um envenenamento em massa em que pessoas ingeriram loções perfumadas que acreditavam ser álcool para beber, mas continham metanol — resultando em dezenas de mortes.
- Outros surtos han sido documentados em países como Turquia, Índia e vários nações africanas, onde bebidas falsificadas foram contaminadas com metanol causando cegueira e óbitos.
- Na Espanha, em 1963, um escândalo envolvendo bebidas misturadas com metanol causou dezenas de mortes e muitos casos de cegueira.
Quais tipos de bebidas são mais visadas
Nem todas as bebidas são iguais em risco — os criminosos tendem a adulterar aquelas que oferecem maior margem de lucro ou que são mais fáceis de falsificar:
- Gin é um dos principais alvos nas adulterações recentes no Brasil
- Vodka também aparece com frequência
- Uísque de marcas conhecidas, quando vendidos a preço suspeito
- Bebidas destiladas genéricas
- Em casos antigos, cachaça artesanal foi adulterada com metanol
É raro encontrar casos bem comprovados envolvendo cerveja ou vinho, porque seus processos de produção bem controlados dificultam esse tipo de adulteração com metanol — embora não seja impossível em ambientes clandestinos.
Como identificar sinais de adulteração ou suspeita
Você não consegue, de maneira segura e confiável, identificar metanol apenas pelo cheiro ou sabor. Metanol é quase “camuflado” — não tem gosto forte. Mesmo especialistas dizem que a identificação só se faz por exame laboratorial ou clínico.
Mas há alguns indícios que indicam risco:
- Preço muito baixo comparado ao normal
- Venda em locais informais, sem nota fiscal ou origem clara
- Garrafas sem rótulo, lacre ou selo fiscal
- Líquido muito claro demais, sem consistência típica
- Desconfiar sempre de bebidas “de ocasião” fora de canais de confiança
Se depois da ingestão você sentir náuseas, tontura, dor abdominal, visão turva ou manchas “diante dos olhos”, é um alerta sério. Esses sintomas podem aparecer entre 6 e 24 horas após o consumo.
Casos confirmados: lista de bebidas adulteradas com metanol
Aqui está um resumo dos casos confirmados ou suspeitos:
| Local / Ano | Tipo de bebida envolvida | Situação |
| São Paulo / 2025 | Gin, vodka, uísque adulterados | Mortes e intoxicações recentes |
| São Paulo / 2025 | Garrafas sem procedência | Apreensão de centenas de unidades |
| Bahia / 1990 | Cachaça artesanal adulterada | Dezena de mortes (“Cachaça da Morte”) |
| Rússia / 2016 | Loção / álcool não convencional | Envenenamento em massa com dezenas de mortes |
| Vários países | Bebidas destiladas genéricas | surtos de metanol documentados |
Como se proteger e o que fazer em caso suspeito
Dicas para evitar consumir bebida adulterada
- Compre bebidas em estabelecimentos confiáveis e com nota fiscal
- Verifique lacres, rótulos, número de lote, data de validade
- Evite bebidas vendidas em situações informais (rua, festas sem organização)
- Nunca aceite bebida de origem duvidosa, mesmo que de “gente conhecida”
- Prefira marcas reconhecidas e canais oficiais de distribuição
Ao sentir sintomas após ingestão
- Vá imediatamente a um hospital ou unidade de emergência
- Levar a garrafa, rótulo ou qualquer resto da bebida ingerida
- Informar que há suspeita de intoxicação por metanol
- O médico poderá solicitar exames de sangue e exames de visão
- O tratamento pode incluir administração de etanol (antídoto), hemodiálise e suporte clínico intensivo
Quanto mais cedo for o atendimento, maiores as chances de prevenir sequelas graves ou óbito.
Bebidas adulteradas com metanol são um perigo real e documentado. No Brasil, casos recentes em São Paulo mostram que gin, vodka e uísque foram adulterados, resultando em mortes e compromissos à saúde visual. No passado, cachaça também foi alvo de adulteração fatal.
Não existe forma caseira confiável de identificar metanol — por isso é essencial sempre comprar com procedência e tomar cuidado com ofertas muito baratas.
