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Salvador é destaque no New York Times: ‘Me apaixonei pela cidade’

Em postagem no seu Instagram, o jornal norte-americano The New York Times, o maior do mundo, homenageou a cidade de Salvador. A postagem trouxe fotos e um depoimento do fotógrafo Stephanie Foden, que morou na capital baiana por diversos anos.

Em seu depoimento, o fotógrafo disse que se apaixonou pela cidade. “Antes que percebesse, os meses se passaram e se tornaram anos. Salvador se tonou minha casa por quase meia década”, relata.
“Na maior parte do tempo você pode ouvir o barulho dos tambores nas ruas, sentir o cheiro de moqueca ou se deparar com um grupo de capoeiristas”, lembrou o fotógrafo.
Além do relato, a postagem fala sobre a história e cultura da cidade, ressaltando que cerca de 80% da população da capital baiana é afrodescendente.

“A cidade antes era um dos principais portos de escravos da Américas. Agora, apesar de centenas de anos de repressão, tratamento brutal e trauma coletivo, a cultura africana se expressa na música, culinária, arte e literatura da cidade afro-brasileira”, descreve.
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“I fell in love with Salvador. I fell hard — so much so that, before I knew it, months had passed, then years. Salvador became my home for nearly half a decade.” In that time, the photographer Stephanie Foden intimately documented Salvador, Brazil, where the act of celebration is indelibly ingrained. “At almost any time, you can hear drumming in the streets, smell the aroma of moqueca (a fish stew made with coconut milk) or come across a group of capoeiristas (dancers of the Afro-Brazilian martial art).” Salvador’s culture stems from its African influences: About 80% of the city’s population is of African descent. The city was once one of the largest slave-trade ports in the Americas. Now, despite centuries of repression, brutal treatment and collective trauma, African culture thrives in Salvador, finding expression in the city’s Afro-Brazilian musical, culinary, artistic and literary traditions. “I always wanted to share the version of the city I came to know and love with others,” Stephanie wrote. Tap the link in our bio to see and read @stephaniefoden’s full photo essay for @nytimestravel. Uma publicação compartilhada por The New York Times (@nytimes) em 14 de Set, 2020 às 6:23 PDT

Essa não é a primeira vez que o NY Times exalta a capital baiana. No ano passado, Salvador foi a única cidade brasileira presente numa lista do jornal com os melhores lugares do mundo para se conhecer.
Com título “Quando estiver no Brasil, é só seguir a música”, a reportagem foi escrita pelo jornalista Sebastian Modak. A visita à cidade faz parte do “52 places traveler”, que é uma lista de 52 lugares para visitar em 2019, elaborada pelo NYT. Antes de Salvador, ele visitou Aberdeen, na Escócia, onde se encantou com a arte de rua.
Em terras baianas, Sebastian destacou a energia do Olodum. “É indiscutivelmente o mais famoso dos blocos-afros de Salvador. O som dos tambores atabaque cilíndricos, um som parecido com a chuva com ocasionais barulhos de trovão, ecoou nas paredes brancas da sala. Sobre um chão coberto de folhas, mulheres vestidas com vestidos brancos ondulantes dançavam em círculos enquanto respondiam a cada chamada cantada pelo baterista principal. Ocasionalmente, uma dançarina caía em transe, o corpo tremia, a cabeça rolava para trás, até que outra mulher se aproximava, esfregava as costas e sussurrava palavras que a levariam de volta a esse plano”, narra.

Outro momento especial na visita do jornalista foi o contato com o candomblé. O povo de santo prestava homenagem a Oxóssi enquanto o gringo observava atentamente. “É um dos orixás que formam um elo entre este mundo e aquele do divino. Por quatro horas e meia, a música mal parou”, narra ele, que visitou um terreiro no bairro da Federação.
Outra coisa que chamou a atenção do americano foi a arquitetura local. “A cidade é a imagem da grandeza colonial desbotada: fachadas coloridas parecem desgastadas pelo tempo e pelo sol, e fios de telefone emaranhados percorrem ruas de paralelepípedos. Mesmo com a ameaça de chuvas ocasionais de inverno, as praias da cidade estão lotadas, onde vendedores vendem pedaços de queijo que assam sobre carvões e polvilham generosamente com orégano. Por um punhado de reais”, narra ele, que visitou o Porto da Barra, local que classificou como encantador.
“As praias de Salvador são mundialmente famosas por um motivo, mas você não obtém a imagem completa, a menos que visite mais de uma. Comece com a Praia do Porto da Barra, facilmente acessível, que fica de frente para a Baía de Todos os Santos e é um dos melhores pontos da cidade para aproveitar o pôr do sol e, na curva, a Praia do Farol da Barra. Em ambas você encontrará uma mistura de moradores e turistas. Para algo completamente diferente, vá a Itapuã em um domingo para ver uma praia lotada de famílias extensas aproveitando um dia de folga”, indica.
Sebastian também não abriu mão de visitar o Teatro Castro Alves, onde acompanhou a apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia, em um especial de São João. Na bagagem, levou ainda um carinho especial por uma cultura totalmente diferente da sua, como as barraquinhas de crepe e beiju, a moqueca da Casa de Tereza, no Rio Vermelho, o Terreiro do Gantois, a casa de Jorge Amado e o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia.

Fonte: Correio24horas