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Quatro filmes baianos estão em mostra competitiva do festival In-Edit

Começa nesta quarta (9) mais uma edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, que acontecerá on-line. A participação da Bahia chama logo a atenção, afinal, dos seis filmes da Competição Nacional, quatro são produções do estado: Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã, de Tenille Bezerra; Dorivando Saravá, o Preto que Virou Mar, de Henrique Dantas; Neojibá – Música que Transforma, de Sérgio Machado e George Walker Torres; e Porfírio do Amaral – A Verdade Sobre o Samba, de Caio Rubens. Completam a lista Dom Salvador & Abolition e Garoto – Vivo Sonhando.

O filme de Sérgio Machado e George Walker Torres mostra a preparação de uma das orquestras do Neojiba para uma turnê na Europa junto com a pianista argentina Martha Argerich.
O filme, no entanto, concentra-se na preparação de Iuri Nascimento Chagas, um dos jovens integrantes da orquestra que se submete a uma seleção para integrar a equipe que vai realizar a turnê. “Acompanhamos Iuri e Ingride, a irmã dele. O mais surpreendente é o quanto todo aquele processo [de seleção e preparação para a turnê] influencia não só os músicos, mas a comunidade inteira do Subúrbio Ferroviário, que se envolve com aquilo e se emociona ao ver que uma pessoa dali vai se apresentar fora do país, vai viajar de avião pela primeira vez…”, diz Sérgio Machado.

“Pegamos a trajetória de Iuri para entender o impacto que fazer música causa na vida dos jovens da periferia”, acrescenta o diretor. Sérgio diz que o comportamento reservado e tímido de Iuri lhe chamou a atenção, por isso o escolheu como protagonista. “Ele quase não fala, mas tem uma cara muito expressiva e tinha uma outra coisa que me chamava a atenção: ele corria risco de não ser selecionado, mas se esforçava muito e corria atrás”, acrescenta.
Samba Porfírio do Amaral: A Verdade Sobre o Samba é uma homenagem aos sambistas desconhecidos do Brasil. “É também uma investigação em torno das origens do samba. Então, visitamos três lugares importantes para a formação desse ritmo: Salvador, Cachoeira e Rio de Janeiro”, diz o roteirista Reinofy Duarte.

Chico Buarque em Porfirio do Amaral Porfirio, o personagem que dá título ao filme, simboliza os sambistas de origem popular, que trabalhavam como porteiros ou garis e deixaram uma obra musical de valor. Chico Buarque, Elza Soares, Nelson Sargento e Margareth Menezes estão entre as personalidades entrevistadas.
O filme revela também rumores de que Porfirio deixou um programa Ensaio – que ia ao ar na TV Cultura – gravado, mas que nunca foi ao ar. É aí que começa um trabalho investigativo, para entender a razão de nunca ter sido veiculado. Não vale a pena entrar em detalhes, pois há risco de revelar spoilers. Mas adiantamos que o filme revela uma boa e divertida surpresa.

Aleluia, O Canto Infinito do Tincoã, registra a vida e a obra de Mateus Aleluia, um dos integrantes do mítico grupo Tincoãs, nascido em Cachoeira. Dorivando Saravá analisa a trajetória de Dorival Caymmi, com destaque para a presença da negritude em suas criações.
Serviço: de quarta (9) até dia 20. No site: br.in-edit.org/. Ingresso: R$ 3 (parte dos filmes, no entanto têm exibição gratuita)
Filme sobre Pitty está em mostra não competitiva

 

Além da Competição Nacional, há outras mostras no In Edit, como a Curta um Som, dedicada a curtas-metragens e o Panorama Mundial, com filmes internacionais.
O documentário Matriz.doc, sobre a baiana Pitty, é uma das atrações da Mostra Brasil, que tem filmes nacionais fora de competição. Com direção de Otávio Sousa, que foi fotógrafo da cantora por cerca de dez anos, o longa acompanha a gravação do álbum Matriz.
Mas, segundo o diretor, o filme é mais que um making of do disco: “Pitty, durante a gravação do álbum, decidiu revisitar Salvador e resgatar algumas coisas de sua memória afetiva, como o cantor Lazzo, que se encontra com ela”. Há também encontros com outros artistas baianos, como Russo Passapusso e Larissa Luz.
Durante os quatro dias que esteve em Salvador Pitty gravou algumas canções do disco e aproveitou para visitar lugares que marcaram sua carreira, como a casa onde funcionava o bar Calypso, no Rio Vermelho, que marcou a cena roqueira da cidade e foi palco de apresentações de Pitty. “Mas, apesar de ela revisitar o passado, o filme não tem um tom nostálgico”, diz o diretor. O filme estará disponível de sexta a domingo, por R$ 3.
Na mostra Curta um Som, uma das atrações é Jazsmetak, sobre uma jam session com instrumentos inspirados nas criações de Walter Smetak, suíço que viveu na Bahia.

Fonte: Correio24horas